segunda-feira, 23 de março de 2009

A HISTÓRIA DA GATA BRIGITE - 1972

Esta historia é real, um pouco longa e data do inicio dos anos 70, mais ou menos por volta do ano de 1972, ou seja ,a quase 40 anos atras.
Eu tinha 13 anos e morava junto com meus pais e 2 irmãos em uma casa situada no bairro Riachuelo, um bairro do suburbio do Rio de Janeiro, proximo ao Meier.
A casa era grande, tinha 2 pavimentos e atras havia um enorme quintal cercado com muros altos e com varias arvores . Na frente tinha um muro baixo com jardins.
No quintal havia uma cachorra que se chamava Bolinha . Apesar do nome, ela era de porte medio e bem brava, principalmente com pessoas estranhas. Ela era uma cadela viralata branca, que tinha uma bolinha preta no corpo, dai esse nome.
Bolinha era uma cadela viralata adotada por nosso familia . Ela parecia retribuir o carinho a atenção que recebia tomando conta do quintal e da casa , tanto de dia quanto de noite. Bolinha era muito brava, latia muito, nenhum estranho se atrevia a invadir o quintal, tanto pessoas quanto animais. O quintal era bem grande mas bolinha estava sempre atuante. Nunca tivemos problema com invasões no quintal e nem na casa.
Foi diante desse cenario que, um certo dia, uma gatinha tricolor mestiça apareceu no quintal procurando comida. Ela deve ter entrado pela parte da frente da casa, pois era o unico lugar em que o muro era baixo, e por certo não sabia que havia uma cachorra brava lá em casa. Ela encontrou alguns restos de comida que estavam dentro de uma lata de lixo e começou a comer. Estava com muita fome.
Eu fui o primeiro a ver a gatinha lá em casa revirando o lixo, e logo fiquei apreensivo com o perigo extremo dessa situação. Felizmente nessa hora Bolinha estava dormindo no fundo do quintal.
Fui correndo chamar meus pais e irmãos mas logo depois que eles chegaram ao lado da lata de lixo Bolinha acordou.
Bolinha veio rapidamente ao nosso encontro ao lado da lata de lixo, já sabia que algo estranho estava acontecendo, e rapidamente se deparou com a gatinha invasora dentro do lixo e começou a latir freneticamente. Não sabiamos o que fazer.
A gatinha saiu da lata do lixo e ficou parada ao lado. Bolinha tentou se aproximar para cheirar a gatinha.
Ela permaneceu imovel e logo a seguir deu uma patada arranhando o focinho da Bolinha, que saiu correndo e ficou abservando de longe.
Bolinha , que já tinha colocado muitos gatos para correr, desta vez ficou sem ação, pela primeira vez um gato enfrentava uma situação de confrontamento com ela demonstrando coragem e superioridade.
Da mesma forma, toda a familia ficou perplexa com a cena, resolvemos levar a gatinha para dentro de casa, demos comida , observamos que apesar de valente era uma gatinha muito docil, queria apenas atenção e um lar.
A partir desse dia a gatinha foi adotada por nossa familia, passou a ser chamar Brigite e se tornou parte de nossa familia. A cadela Bolinha com o tempo se acostumou com sua presença, e ambos se tornaram até amigos.
Alguns meses se passaram e constatamos que Brigite estava grávida.
Essa condição especial em nenhum momento afetou nossa relação com ela , muito pelo contrario, nossa familia deu total apoio durante toda a gravidez da gatinha.
O dia do parto eu lembro muito bem. Foi durante a tarde. Começou as contrações e levamos Brigite para um quarto de empregada desativado que tinha lá em casa . Meu pai foi o "parteiro" e eu fiquei no canto do quarto abservando a cena. Incrivel o instinto das gatas. Não era preciso fazer nada. Os gatinhos nasciam todos molhados, com olhos fechados e já miavam. A Brigite lambia todos os recem nascidos e comia a placenta até chegar proximo ao umbigo.
Depois de algumas horas haviam nascido 5 gatinhos : 2 machos amarelinhos, 1 macho todo preto, uma femea preta e branca tipo frajolinha e uma femea tricolor igual a mãe.
Rapidamento os novos gatinhos se tornaram a atração da casa. Brigite estava sempre ao lado da ninhada para amamentação.
Tudo corria bem, até que mais um fato inesperado aconteceu.
Um mes depois do parto, durante o meio da noite, Brigite começou a carregar os gatinhos.
Ela carregou os gatinhos um por um. Tirou do quarto de empregada que estavam até então, subiu as escadas da casa até o segundo andar, foi até o quarto dos meus pais e colocou todos os gatinhos embaixo da cama dos meus pais.
Ninguem estava entendendo o motivo dessa atitude, até que constatamos que Brigite estava passando muito mal. Ela havia ingerido algum veneno ou produto quimico letal. Largou os gatinhos embaixo da cama e deitou no chão ao lado com a lingua para fora.
Todos nos acordamos e ficamos ao lado dela, mas não havia muito o que fazer , era plena madrugada de domingo.
Ficamos de vigilia até a manhã de segunda feira, mas as 6 horas da manhã ela teve o ultimo suspiro, e se tremeu toda e morreu. Era o fim. Foi a ultima imagem que tive de Brigite, o seu tremor final.
Ficamos perplexos com a situação. Parecia que Brigite sabia que seu fim estava proximo, e ainda teve força de carregar todos os gatinhos para perto dos meus pais, como se estivesse dizendo "cuidem dos meus gatinhos para mim".
Os dias que se seguiram foram muito dificeis. Os gatinhos orfãos tinham apenas um mes e não eram desmamados. procuravam desesperadamente a mãe e não encontravam. O que fazer? Naquele tempo não havia internet, as informações eram escassas e dificeis.
Improvisamos umas mamadeiras de plastico com bico fino e passamos a dar leite (de vaca mesmo) a todos os gatinhos. Toda a familia entrou nessa empreitada. Era bem dificil, os gatinhos não entendiam essa situação. Muito leite caia no chão, mas ao menos uma parte eles tomavam.
Nossos esforços valeram a pena. Todos os 5 gatinhos sobreviveram. Depois passaram a se alimentar com comida . Minha mãe comprava sardinha e fazia comida especialmente para eles. Naquela epoca não havia as rações industrializadas que existem hoje.
Os 5 gatinhos cresceram , doamos os 2 gatinhos amarelinhos e adotamos os outros 3 gatinhos, que posteriormente foram castrados (uma operação carissima na epoca, quase ninguem fazia nos anos 70).
Os 3 gatinhos viveram com nossa familia mais de 15 anos, morrendo somente de causas naturais da velhice. posteriomente adotamos muitos outros gatos.
Hoje, decorridos mais de 40 anos, meu pai é falecido, minha mãe tem mais de 80 anos, eu e meus 2 irmãos estamos na casa dos 50 anos. A lembrança de nossa primeira gatinha Brigite permanece até hoje e ficamos orgulhosos de ter conseguido atender o seu ultimo desejo.
CLAUDIO ODDONE - Lista Faclubegatos
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